NÚMERO DE MULHERES EMPREENDEDORAS TRIPLICA DESDE 2014 NO BRASIL

NÚMERO DE MULHERES EMPREENDEDORAS TRIPLICA DESDE 2014 NO BRASIL

NÚMERO DE MULHERES EMPREENDEDORAS TRIPLICA DESDE 2014 NO BRASIL

PROBLEM SOLUTION APRESENTA HISTÓRIAS DE REPRESENTANTES DO EMPREENDEDORISMO FEMININO

As mulheres empreendedoras já são aproximadamente 24 milhões no Brasil. Apesar de inferior se comparado aos 28 milhões de homens, a quantidade de representantes do empreendedorismo feminino apresenta crescimento acelerado. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), elas eram 7,9 milhões em 2014, número que praticamente triplicou nos últimos anos. A inserção no mercado contribui para a autonomia financeira das mulheres e tem potencial transformador, sobretudo se considerado que a renda feminina é cada vez mais importante no orçamento familiar. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o número de lares brasileiros chefiados por mulheres saltou de 23% para 40% entre 1995 e 2015.

Em 2017, as mulheres eram maioria à frente de empreendimentos em estágio inicial, com até 3 anos e meio de operação. A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) – 2018, realizada no país sob coordenação do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), em parceria com o Sebrae, apontou, no entanto, ligeira predominância masculina no ano passado, ainda com o índice feminino próximo aos 50%. Em se tratando de negócios já estabelecidos, a diferença é de 6,1%, resultado que reflete as barreiras enfrentadas pelas empreendedoras, como a desigualdade de investimentos e as múltiplas jornadas, fatores que podem afetar a longevidade do negócio.

Confira algumas histórias de superação e sucesso:

Adriana Molha, fundadora da Brasileiros pelo Mundo

Adriana Molha (35) é fundadora da operadora de turismo de nicho Brasileiros pelo Mundo, responsável pelas agências Brasileiros no Uruguai e Brasileiros na Argentina. Formada em Marketing, com MBA em Gestão de Negócios, Adriana deu o primeiro passo em direção ao empreendedorismo no verão de 2012, ao se demitir da multinacional de telecomunicações em que atuava. Apesar da estabilidade do emprego, do cargo e do salário satisfatórios, a rotina e a impossibilidade de inovar a sufocavam. Inicialmente, a paulistana se dedicou a compra e venda de imóveis. Meses mais tarde, se mudou para o Uruguai decidida a empreender. Sem falar espanhol, ao notar que faltava suporte aos brasileiros no país vizinho, criou um portal com informações em português sobre a localidade, que rapidamente se transformou na única agência de turismo especializada no destino.

De volta ao Brasil, mas com viagens frequentes a negócios, Adriana segue em contato com parceiros uruguaios e argentinos, sendo a maioria masculina. Nos anos dedicados ao turismo, chegou a ser assediada por fornecedores e chamada de “florzinha” pelo gerente do banco; passou por diversas situações de constrangimento. “Já enfrentei, enfrento e enfrentarei – espero que cada vez menos – problemas por ser mulher, sozinha, tocando um negócio”, diz Adriana. Para ela, os desafios do empreendedorismo feminino não se limitam aos desafios de empreender, que não são poucos no Brasil, mas implicam ultrapassar as barreiras do gênero. Apesar de estar à frente do negócio, relata que em algumas reuniões é importante estar acompanhada pelo irmão e sócio, Murilo Molha, pois alguns homens preferem tratar com ele. “Isso é duro, não ser levada tão a sério quanto um homem, ser assediada de várias formas, ter medo, é bem frustrante”.

Durante a passagem pelo Uruguai, sofreu com a falta de apoio do companheiro com quem se relacionava à época. Adriana conta que seu sucesso nunca foi comemorado, mas abafado e que era incentivada a procurar um emprego, como se já não trabalhasse. Diante da invalidação de seus esforços, ela chegou a desacreditar do valor do negócio, mas nunca desistiu e recuperou a autoconfiança ao retornar para o Brasil. “Atualmente valorizo minha pessoa, minha empresa e meu processo de empreendedorismo”, afirma. Apesar dos obstáculos que precisa transpor diariamente, conclui: “Amo ser empreendedora, não faria outra coisa”.

Giordania Tavares, diretora da Rayflex

A paulistana Giordania Tavares (41) assumiu a Diretoria Executiva da Rayflex em 2014, ano em que a empresa, pioneira no ramo de portas rápidas no Brasil, expandiu a operação para a América Latina. A nova posição impôs à Giordania, até então voltada à área administrativa do negócio, o desafio de compreender o mercado, o que exigiu que fosse a campo, visitasse clientes e viajasse com frequência. Para conciliar a vida profissional e pessoal, ela não abre mão de um bom planejamento, que permite dar autonomia à equipe que lidera para que se dedique ao desenvolvimento estratégico e às atividades de mãe e esposa com equilíbrio.

Formada em Engenharia e Administração e pós-graduada em Finanças, Giordania conta que a classe de Engenharia era composta por sessenta homens e apenas duas mulheres, mas que a discriminação só se revelou no mercado de trabalho. Apesar de nem sempre verbalizado, até mesmo em razão da posição que ocupa, ela afirma que o preconceito é perceptível no dia a dia e maior por se tratar de alta tecnologia, área não considerada do universo feminino, como cosméticos e vestuário. “Além de ser mulher, sou jovem”, aponta Giordania. Aos 41 anos, relata ter de se esforçar muito mais do que um homem para mostrar que realmente entende do assunto e ser respeitada. Ela destaca que sempre estudou muito e o conhecimento adquirido permite que fale com propriedade com quem quer que seja.

Para Giordania, é essencial gostar do que faz, pois com paixão e dedicação tudo se torna mais leve, apesar de nunca mais fácil. Diante do dinamismo do mercado, a cada dia um novo desafio se apresenta junto à necessidade de inovar constantemente. “Adoro o que faço, é de dentro para fora”, diz. Ela aponta que é preciso perseverar e estar envolvida com as pessoas, se relacionar para trocar informações, sempre em busca de mais conhecimento: “Não pode ser só uma aventura”.

Sylvia Barros, CEO da rede The Kids Club no Brasil

Sylvia Barros (47), de São Paulo, é CEO da rede The Kids Club de ensino de idiomas para crianças e jovens no Brasil. Em 1994, já neste mercado, percebeu a demanda ainda não atendida por aulas para alunos com menos de 10 anos. Conheceu uma metodologia britânica cuja proposta é ensinar por meio de brincadeiras e aplicou no país. “Foi um casamento de oportunidades”, relembra. Atualmente, o método é aplicado em 80 unidades escolares espalhadas pelo território brasileiro. Sylvia conta que o grande desafio foi convencer os pais de que aprender inglês na infância era importante, já que alguns pensavam, equivocadamente, que aprender uma segunda língua poderia atrapalhar o aprendizado de português. A gestora afirma que lidar com o mercado e apresentar um produto novo é desafiador todos os dias.

Formada em Administração com especialização em Franquias, Sylvia aponta que no mercado de educação, sobretudo infantil, as mulheres são maioria. De acordo com ela, mais de 90% do total de franqueados da rede são mulheres, as operações têm muito sucesso e a vida pessoal não é deixada de lado. “A mulher dá conta do recado”, garante. Entre as principais características que a posição exige, Sylvia destaca a diplomacia, essencial para dialogar de forma transparente com os múltiplos públicos. A empresária se orgulha por ajudar a realizar o sonho de mulheres que desejam estar à frente do próprio negócio e transformar a vida de crianças que aprendem uma segunda língua. Para Sylvia, trabalhar com o que gosta resulta em trabalhar melhor, com mais prazer, felicidade e dedicação.

Elaine Cristina Magalhães de Morais, administradora da rede Animal Place

Formada em Administração de Empresas e pós-graduada em Gestão Estratégica de Negócios e Gestão de Franquias, Elaine Cristina Magalhães de Morais (41) gerencia a rede Animal Place, franquia de pet shop com quatro unidades em São Paulo e uma em Cuiabá, no Mato Grosso. Paraense, nascida em Santarém, vive na capital há 15 anos, e se orgulha ao olhar para trás e ver o quanto cresceu desde que começou a administrar a clínica veterinária do marido. Era um pequeno consultório, que foi crescendo até se transformar em um centro de cuidados para animais de estimação, incluindo atendimento veterinário, estética e pet shop.

Quando concluiu a graduação em Administração de Empresas, ainda em Santarém, ela já imaginava ser dona do próprio negócio. Elaine trabalhou em duas empresas grandes antes de empreender. “Sempre trabalhei com olhos de dono, nunca pensei como funcionária”, ressalta. Foi esse diferencial, essa alma empreendedora que ela levou para a clínica do marido. “Veterinário tem cabeça de cientista, não de administrador”, avisa Elaine. Os dois uniram as habilidades e conhecimentos específicos para fazerem o negócio crescer. A empresária destaca a importância da parceria, mas reconhece: “não é fácil trabalhar com o marido”. Segundo ela, pesa bastante o fato de o sócio não ser da área administrativa e querer fazer as coisas “do jeito dele”. O mais importante é o tanto que foi caminhado. “Deu certo e espero que continue”.

Por Gabriella Paques

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *